Desafio Equatorial

Alagoas e suas diferentes perspectivas

By 15 de dezembro de 2020março 1st, 2021No Comments

Brasil. Região Nordeste. Estado de Alagoas.

Terra fértil, do sol, com água cristalina. Cenários das mais paradisíacas paisagens. Um dos destinos mais desejados por viajantes do país e do mundo, recebendo mais de 2 milhões de turistas todos os anos. O que num olhar ligeiro parece perfeito, um ângulo mais profundo de um prisma cotidiano revela uma dura realidade sócio econômica e política.

Com mais de 3 milhões de habitantes, 60% da sua população é vulnerável à pobreza. O equivalente a mais de 2 milhões de brasileiros. Deles, 16,6% vive, de fato, na extrema pobreza. Esses dados ranquearam Alagoas como estado de pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Essa pesquisa é elaborada anualmente pelo escritório global do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), desde 1990. E consiste no resultado da análise de mais de 180 indicadores socioeconômicos dos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dividido em três dimensões do desenvolvimento humano, o estudo analisa a oportunidade de viver uma vida longa e saudável (longevidade), ter acesso a conhecimento (educação) e ter um padrão de vida que garanta as necessidades básicas (renda).

Este resultado se confirma em outra pesquisa, também realizada pelo Pnud, desta vez em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que calcula o IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal. A última amostra aponta Alagoas com um IDHM de 0,631 – o menor em todo o Brasil. O índice varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano.

Nesse contexto, Alagoas se torna um desafio para as esferas públicas e privadas. Em todos os aspectos que se pode imaginar. Da geração de empregos à políticas públicas. No desenvolvimento social e econômico, no fornecimento de itens de necessidade básica, na arrecadação de impostos, no mercado de bens de consumo, no investimento científico e acadêmico, no nível de escolaridade e cidadania, na criação e rentabilidade de negócios privados, na saúde e qualidade de vida da população.

Maceió, capital do estado, abriga quase um terço dessa população. E 12% desses habitantes residem em assentamentos irregulares. São mais de 100 espalhados por toda a capital. Locais que geograficamente não são propícios para estruturas domiciliares seguras. Há vulnerabilidades ambientais severas nesses territórios que impossibilitam sua ocupação em virtude do alto risco de inundações e deslizamentos. Esses assentamentos são conhecidos como “Grotas”, áreas ocupadas por uma população de baixa renda, que vive em precárias condições de habitabilidade e com acesso inadequado (ou inexistente) ao abastecimento de água, luz e gás, saneamento básico, coleta de lixo e mobilidade urbana, conforme documenta o projeto realizado pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) em parceria com o Governo de Alagoas, que inclui a elaboração de um estudo conjunto de estratégias de desenvolvimento urbano. Durante dois anos, o estudo levantou dados e estatísticas que abordaram temas como infraestrutura, inclusão social e prevenção da violência.

Para que a população desses assentamentos alcance o exercício de sua cidadania plena e conquiste a melhoria de qualidade de vida, é necessário o entendimento de sua realidade social. A começar pela posse de documentos básicos, que além de servir para a aquisição de bens e serviços, auxilia na construção da dignidade humana, justiça e inclusão social, permitindo que o indivíduo exerça seus direitos e seus deveres. 1% da população de Grotas não possui nenhum tipo de documento, registro ou identificação. Isso representa pessoas sem possibilidade de receber atendimento médico, se matricular em uma escola, exercer um trabalho formal, ter renda fixa e, consequentemente, pagar suas obrigações, deveres e consumos. Assim como é de amplo conhecimento a importância da educação no desenvolvimento da sociedade. No entanto, Grotas ainda possui 23,4% de sua população analfabeta. Apenas 39,3% da população infantil, de 0 a 5 anos, frequenta a escola. Já na faixa etária de 6 a 14 anos, a estatística sobe para 92,8%. Contudo, a taxa dos jovens Nem-Nem, que nem estudam nem trabalham, que estão entre os 15 e 24 anos, reduz drasticamente para 39,7%, o dobro da média brasileira.

Essa baixa escolaridade se reflete na capacidade de geração de renda. Quase 30% da população de Grotas não possui nenhum tipo de receita. Para se ter um real entendimento da complexidade desta questão, nada melhor do que traçar um comparativo à renda média nacional ao contexto a que Grotas pertence. A remuneração média brasileira é de R$ 1.281,59 reais, 22% maior que a renda média de Maceió, de R$ 1.008,76. A população das Grotas possui um rendimento médio inferior a metade do rendimento de Maceió e quase 1/3 do rendimento médio do Brasil, registrando uma remuneração per capita de R$ 477,83.

Todas estas estatísticas foram consolidadas antes do período de pandemia vivenciado em 2020. Após a crise mundial, é possível que haja aumento da população de baixa renda, êxodo escolar, desemprego, redução de poder aquisitivo e crescimento progressivo das áreas de assentamento.

Os desafios certamente se multiplicaram. E Maceió apresenta um cenário muito particular e impactante. É preciso ter um olhar cuidadoso, empático e humanitário. Talvez, por isso, os desafios propostos pela Equatorial Energia estimulam tanto a conectar. Conectar pessoas, tecnologias, soluções. O Grupo Equatorial acredita nesse potencial e quer investir na construção conjunta de propostas inovadoras.

Empreendedores, integrantes da academia, startups e comunidade tecnológica, inscrevam-se! Precisamos encarar os desafios tecnológicos e sociais para encontrar soluções arrojadas que desenvolvam os negócios e a sociedade de forma sustentável.

As melhores propostas vão ser apresentadas para a banca avaliadora, que analisará, de acordo com a estratégia de inovação do Grupo Equatorial, aporte de Pesquisa & Desenvolvimento para desenvolver e implantar os projetos vencedores.

Qualquer dúvida ou dificuldade, entre em contato. Teremos o prazer de falar com você!